Ao lado da força tradicional do agronegócio, da pecuária e do comércio, cresce um novo ambiente formado por empresas de tecnologia, startups, pesquisa científica e negócios inovadores.
Os dados mostram a velocidade dessa mudança. Segundo o Observatório Sebrae for Startups, Rondônia passou de 247 startups em 2025 para 312 em 2026. São 65 novos negócios de base tecnológica em apenas um ano, crescimento de 26,3%.
O avanço das startups faz parte de uma transformação mais ampla. Dados da Geointeligência da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC) apontam que o número de empresas enquadradas nas atividades profissionais, científicas e técnicas passou de 649 em 2019 para 1.910 em 2025. O crescimento acumulado chega a 194,3%, o que significa que esse segmento praticamente triplicou em seis anos.
E a expansão não acontece apenas na capital.
O ecossistema de inovação começa a ganhar força também no interior. Ariquemes, Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena estão entre os municípios que estruturam Ecossistemas Locais de Inovação, com participação de empresas, universidades, empreendedores, instituições de apoio e poder público.
A movimentação também aparece em programas de incentivo. Na edição mais recente do Programa Centelha, foram registradas 367 propostas de 22 municípios de Rondônia. Porto Velho concentrou 186 propostas, seguida por Ji-Paraná, com 49; Vilhena, com 33; e Cacoal, com 25. Os demais municípios somaram outras 74 propostas.
O Startup Day 2026 também levou ações de empreendedorismo inovador para diferentes regiões do estado. Porto Velho, Ariquemes, Jaru, São Miguel do Guaporé, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena receberam atividades voltadas à tecnologia, empreendedorismo e conexão entre os diferentes atores do ecossistema.
Em Cacoal, por exemplo, o evento reuniu mais de 140 participantes e destacou a inovação aplicada ao agronegócio, mostrando como as características econômicas de cada região podem gerar oportunidades para novos negócios.
Essa descentralização é importante porque demonstra que a inovação não depende apenas da existência de grandes centros tecnológicos. Ela pode nascer de problemas e necessidades locais e encontrar no empreendedorismo uma forma de criar soluções.
Ao mesmo tempo, Rondônia amplia a capacidade de produzir conhecimento e formar profissionais para atender às demandas dessa nova economia.
A chegada da formação em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Rondônia reforça esse movimento. A área está entre as mais estratégicas da transformação tecnológica e pode contribuir para ampliar a qualificação profissional, estimular pesquisas e aproximar a universidade das necessidades das empresas.
Esse conjunto de iniciativas aponta para uma mudança importante: Rondônia começa a deixar de ser apenas um consumidor de tecnologia para também formar profissionais, produzir conhecimento, desenvolver soluções e criar empresas de base tecnológica.
O crescimento das startups também levou o Governo de Rondônia, por meio da SEDEC, a buscar informações mais precisas sobre esse novo mercado. A parceria com o Observatório Sebrae Startups permite acompanhar o perfil dessas empresas, seus setores de atuação, modelos de negócio e estágio de desenvolvimento.
Hoje, entre as 312 startups mapeadas, 38% têm software como principal produto, 46% atuam no modelo B2B e 32% trabalham com modelo de receita por assinatura. O agronegócio aparece entre os principais segmentos, ao lado de Tecnologia da Informação e Saúde e Bem-Estar.
Os dados ajudam a entender não apenas quantas startups existem, mas que tipo de economia está surgindo em Rondônia.
É uma economia que aproveita as vocações tradicionais do estado e acrescenta tecnologia a elas. No agronegócio, por exemplo, novas empresas podem desenvolver sistemas de gestão, inteligência de dados, automação e soluções para aumentar produtividade. Na saúde, na educação, no comércio e nos serviços, a tecnologia também abre espaço para novos modelos de negócio.
Esse movimento exige investimento, conhecimento e políticas públicas. Por isso, instituições como FAPERO, Sebrae RO, universidades e Governo do Estado passam a ter papel estratégico na construção desse ambiente.
A Fapero contribui por meio de editais e programas de fomento à pesquisa e à inovação. O Sebrae atua na formação, conexão e desenvolvimento dos empreendedores. As universidades ampliam a produção de conhecimento e a formação de profissionais. E o Governo trabalha na criação de políticas e estruturas capazes de fortalecer esse ecossistema.
A Lei Estadual de Inovação e a expansão dos Hubs.RO entram nesse contexto como instrumentos para criar um ambiente ainda mais favorável ao desenvolvimento de novos negócios.
O cenário mostra que a inovação deixou de ser um assunto restrito às universidades ou às empresas de tecnologia. Ela passou a fazer parte da estratégia de desenvolvimento econômico de Rondônia.
O estado ainda tem desafios. Muitas startups estão nos primeiros estágios de desenvolvimento e precisam avançar da ideia para o mercado, conquistar clientes, acessar investimentos e ganhar escala. Mas os números indicam que existe uma base crescente de empreendedores dispostos a enfrentar esse caminho.
Rondônia começa, assim, a construir uma nova matriz de desenvolvimento, baseada não apenas na produção de bens e matérias-primas, mas também em conhecimento, tecnologia, pesquisa, criatividade e inovação.
O desafio agora é transformar esse crescimento em empresas mais fortes, empregos qualificados, investimentos e soluções capazes de levar o nome de Rondônia para novos mercados.
A nova economia já começou a nascer no estado — e ela não está apenas em Porto Velho. Está também nas universidades, nas empresas, nos laboratórios e nas cidades do interior que começam a descobrir na inovação uma nova oportunidade de desenvolvimento.