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ASSISTA: “O autoexame não substitui os exames de imagem”, alerta mastologista no RolimCast

Samela Oliveira Santos explica sinais de alerta, esclarece dúvidas sobre a saúde das mamas e defende o cuidado contínuo; professora Bianca Santos Chisté relaciona o adiamento das consultas à sobrecarga feminina.

Rolim Notícias
Foto: RolimCast/RolimNotícias

Entre o trabalho, os estudos, os filhos e as responsabilidades domésticas, o cuidado com a própria saúde frequentemente perde espaço na rotina das mulheres. Essa realidade conduziu o debate do RolimCast, do Grupo Amazun, que recebeu a médica mastologista Samela Oliveira Santos e a professora doutora Bianca Santos Chisté para uma conversa sobre prevenção, diagnóstico precoce e autonomia feminina.

Com apresentação de Angélica Cristina, o episódio discutiu o tema “Outubro Rosa: por que cuidamos de todos, mas deixamos a nós mesmas para depois?”. A entrevista também apresentou uma programação de educação em saúde promovida na Universidade Federal de Rondônia, no campus de Rolim de Moura.

Para Samela, o alcance da campanha precisa ultrapassar o calendário e fazer parte da maneira como cada pessoa se relaciona com o próprio corpo. “Outubro Rosa hoje não é mais só sobre câncer de mama, é sobre autocuidado”, afirmou.

Nascida em Nova Brasilândia d’Oeste e criada em Rolim de Moura, a médica contou que saiu de Rondônia para dar continuidade à formação e atualmente atua em Rondonópolis, no Mato Grosso. Ao retornar à região para participar da iniciativa, destacou a oportunidade de compartilhar conhecimento com a comunidade onde cresceu.

Conhecer as mamas ajuda, mas não substitui os exames

Um dos principais esclarecimentos da entrevista envolveu os limites da observação e da palpação das mamas. Samela explicou que perceber mudanças no corpo pode motivar a busca por atendimento, mas essa atenção não substitui os exames indicados por profissionais de saúde. “O autoexame não substitui os exames de imagem”, ressaltou.

A médica destacou que alterações pequenas podem não ser percebidas ao toque. Por isso, a ausência de um caroço palpável não deve ser interpretada como garantia de que todos os cuidados estão em dia. Na orientação do Instituto Nacional de Câncer, conhecer as próprias mamas significa observar mudanças no cotidiano, sem necessidade de uma técnica específica. Alterações suspeitas devem ser avaliadas em um serviço de saúde.

Durante a conversa, Samela também defendeu a avaliação individual do risco. Histórico pessoal, antecedentes familiares e características das mamas são informações que ajudam o profissional a definir a necessidade de investigação e acompanhamento.

Não é preciso esperar sentir dor

No quadro de mitos e verdades, a mastologista abordou uma dúvida comum: a relação entre dor e câncer de mama. A especialista explicou que dores mamárias podem ter diferentes causas, inclusive variações relacionadas ao ciclo menstrual, e que a dor, isoladamente, não permite confirmar nem descartar a doença. O recado foi evitar que a procura por atendimento dependa apenas do aparecimento de desconforto.

Entre as mudanças que merecem investigação estão nódulos persistentes, alterações na pele ou no formato do mamilo, saída espontânea de líquido e caroços nas axilas. Esses sinais podem ter causas benignas, mas precisam de avaliação para esclarecer o diagnóstico.

Histórico familiar precisa entrar na conversa

O episódio também tratou da importância de informar ao profissional de saúde a ocorrência de câncer na família. Samela explicou que essa conversa não deve se limitar à pergunta sobre a existência de câncer de mama: o tipo de tumor, o parentesco e a idade ao diagnóstico ajudam a compreender o contexto.

A discussão incluiu o câncer de mama em homens, tema apresentado por Angélica Cristina a partir de uma experiência familiar. A mastologista lembrou que homens também possuem tecido mamário e podem desenvolver a doença.

Acesso à informação e aos serviços continua sendo desafio

Para a médica, o adiamento dos exames não pode ser explicado por um único motivo. Além dos tabus e do receio de procurar atendimento, existem dificuldades de acesso e situações em que a mulher sequer recebeu orientação sobre o acompanhamento das mamas. “Nem todas as mulheres, mesmo não tendo esse tabu, têm acesso a fazer os exames de rotina na data certa”, observou.

Bianca relacionou esse cenário às múltiplas jornadas femininas. Professora do curso de Pedagogia da UNIR, ela lembrou que, para muitas estudantes, a formação universitária se soma ao trabalho e às tarefas familiares. “Em que momento que nós, mulheres que vivemos várias jornadas, cuidamos da gente?”, questionou.

Hábitos cotidianos e cuidado emocional

Atividade física, alimentação, saúde emocional e tempo para interesses pessoais também integraram a entrevista. Samela defendeu uma rotina de cuidado possível, adaptada às condições e às necessidades de cada mulher. Hábitos saudáveis podem contribuir para reduzir o risco de câncer de mama, mas não eliminam a possibilidade da doença.

Ao falar sobre a própria rotina, a médica citou exercícios, leitura, música e psicoterapia como experiências que a ajudam a cuidar de si. “Sobreviver não é suficiente”, afirmou.



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