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Corredor pelo Pacífico pode colocar Rondônia no centro da nova rota global do agro

Representantes da Bolívia e do Peru defendem integração logística internacional durante a Rondônia Rural Show e apontam redução de custos, ganho de competitividade e conexão direta com o mercado asiático

Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias
Foto: Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias

A 13ª Rondônia Rural Show Internacional se consolidou como um dos principais ambientes de debate econômico e estratégico da região Norte ao reunir representantes internacionais, empresários, lideranças do agro e integrantes da cadeia logística para discutir um projeto que pode transformar o futuro econômico de Rondônia: a criação de uma rota internacional de exportação pelo Oceano Pacífico.


O tema ganhou destaque dentro das discussões sobre integração logística entre Brasil, Peru e Bolívia, envolvendo corredores multimodais que unem transporte terrestre, fluvial e marítimo para conectar o agro brasileiro diretamente aos mercados asiáticos.


Entre os participantes internacionais presentes nas discussões esteve Jirge Chavez, secretário de Relações Internacionais do Governo de Beni, na Bolívia. Representando oficialmente o governo boliviano, ele destacou a importância da aproximação entre os países e classificou a integração regional como fundamental para o fortalecimento econômico da América do Sul.


Segundo Jirge Chavez, Rondônia já ocupa posição estratégica na produção agropecuária e na geração de riquezas, tornando-se peça importante dentro desse novo cenário logístico internacional.


“A integração é de vital importância. Rondônia tem uma grande força histórica na exportação e na geração de riquezas. Precisamos fomentar investimentos, articulação e convivência entre os povos”, afirmou.


O representante boliviano também destacou a admiração pelo crescimento da Rondônia Rural Show Internacional, ressaltando o impacto econômico da feira e sua capacidade de conectar governos, empresários e produtores rurais.


“Cada ano a feira está maior e mais impressionante. Isso demonstra a força produtiva de Rondônia e o potencial econômico da região”, declarou.


Além da presença boliviana, o evento contou com participação ativa do setor portuário peruano. Um dos principais nomes foi Eduardo Cerdeira, CEO do Porto de Paita, no norte do Peru, responsável por apresentar alternativas logísticas capazes de aproximar os estados brasileiros do Oceano Pacífico.


Segundo Eduardo Cerdeira, a integração logística entre os países representa uma oportunidade histórica para o agronegócio da região Norte, especialmente para Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima.


“O objetivo é conectar o Oeste do Brasil ao Pacífico utilizando transporte marítimo, fluvial e terrestre, criando uma integração multimodal eficiente”, explicou.


Atualmente, grande parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado asiático depende das rotas tradicionais via Oceano Atlântico e Canal do Panamá. De acordo com Cerdeira, esse modelo gera custos elevados e maior tempo de deslocamento internacional.


Para ele, a saída pelo Pacífico utilizando os portos peruanos pode representar uma verdadeira revolução logística para o agro brasileiro.


“A economia de tempo e dinheiro é gigantesca. Podemos reduzir cerca de 11 dias no transporte e diminuir aproximadamente 30% dos custos logísticos”, destacou.


Outro ponto levantado pelo executivo peruano envolve os riscos futuros relacionados ao Canal do Panamá. Segundo ele, problemas climáticos e limitações operacionais podem impactar diretamente o fluxo mundial de cargas nos próximos anos.


“Existe uma preocupação muito forte com possíveis dificuldades no Canal do Panamá. Isso torna a rota pelo Pacífico ainda mais estratégica”, alertou.


As discussões também envolveram representantes do setor produtivo de Rondônia, que defendem a criação de novas alternativas logísticas para ampliar a competitividade do agronegócio regional.


O CEO do Grupo Rovema e presidente da APRON (Associação dos Pecuaristas de Rondônia), Adélio Barofaldi, afirmou que o Brasil historicamente concentrou sua logística voltada aos portos do Atlântico, mas agora começa a enxergar a importância estratégica do Pacífico.


“O Brasil sempre olhou muito para o Sul e Sudeste. Agora começa a perceber o quanto é importante olhar para o Pacífico”, afirmou.


Segundo Barofaldi, Rondônia já exporta grande parte da produção de carne e depende diretamente de soluções logísticas eficientes para continuar crescendo.


“A logística faz parte da competitividade. Precisamos reduzir custos e ampliar nossa capacidade de exportação”, declarou.


Outro participante das discussões foi Victor Paiva, diretor executivo da Aprosoja Rondônia, que destacou o potencial da nova rota para reduzir a dependência logística do Rio Madeira e facilitar a importação de insumos agrícolas.


“A ideia é que os caminhões levem grãos e retornem trazendo ureia, sal e outros insumos, ajudando a equilibrar o frete”, explicou.


Apesar do entusiasmo, os representantes reconheceram que ainda existem desafios relacionados à infraestrutura, pavimentação de pequenos trechos rodoviários e burocracias nas fronteiras internacionais.


Para Eduardo Cerdeira, o avanço do projeto dependerá da união entre governos, setor produtivo e empresários.


“Isso não pode ficar apenas no papel. Precisamos derrubar burocracias e transformar essa rota em realidade”, afirmou.


As discussões realizadas durante a Rondônia Rural Show Internacional demonstram que o corredor bioceânico já deixou de ser apenas uma ideia distante e começa a ganhar força como uma das principais apostas econômicas para Rondônia e toda a região Norte.


Especialistas avaliam que, caso o projeto avance, o estado poderá se transformar em uma das principais portas de saída do agronegócio brasileiro rumo ao mercado asiático, fortalecendo exportações, atraindo investimentos internacionais e ampliando a competitividade do agro nacional.


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Fonte: Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias

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